Warm Up Vodafone Paredes de Coura – Aquecidos e prontos para agosto

Abr 16, 2013 Sem Comentários by

Num ano em que o Porto ficou órfão de festival de inverno, a Vodafone e a Ritmos juntaram-se e deram aos festivaleiros nortenhos uma prenda especial: o Warm Up Vodafone Paredes de Coura. Este festival dedicado à música indie trouxe até à Invicta nomes como Everything Everything, No Age, Lee Ranaldo Band ou Omar Souleyman.


A Promessa dos Everything Everything

O primeiro dia foi o melhor dia do Warm Up. O festival arrancou com um grande concerto dos portugueses Capitão Fausto. Apesar de terem contado com uma plateia um pouco despida, a banda de Tomás Wallenstein e companhia merecia mais. Deram um bom concerto rock que meteu a dançar os poucos, mas bons, presentes. Os Fausto aproveitaram ainda este festival para apresentar uma canção do novo álbum. Canção essa que foi inspirada em Formariz em Paredes de Coura. Salientar apenas um ponto negativo, a falta da Teresa a canção mais conhecida da banda que não fez parte da setlist mas que certamente faria dançar muita gente.

Os senhores que se seguiram tiveram um concerto bem mais morno. Os Veronica Falls, que regressaram ao Porto um ano depois de terem passado pelo Optimus Primavera Sound 2012, contaram com uma plateia bem mais recheada e com alguns fãs que se deslocaram ao recinto para os ver. Na bagagem os londrinos trouxeram o novíssimo álbum Waiting for Something to Happen. Um concerto marcado pelas guitarras e pelas constantes trocas de vozes feminina e masculina é assim que se pode descrever a actuação. Ponto negativo para alguns problemas técnicos que a banda sofreu, com vários ruídos de feedback a interferirem com a música.

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Vistos como uma espécie de outsiders, os veteranos The Wedding Present chegaram ao Warm Up para rockar. E conseguiram-o. Com uma série de músicas com boas guitarradas e solos alucinantes os ingleses prenderam o público. E convém falar neste público, neste concerto a meio da noite começaram a surgir muitos cabelos grisalhos a lembrarem-se do seu tempo de adolescência. Uma grande festa vivida na grande tenda da D. João I.

Mas o melhor do momento da noite estava agora a chegar. O concerto dos Everything Everything. Com um estilo de música muito particular, capaz de albergar batidas africanas a guitarradas indie. Os britânicos apareceram neste dia como cabeças de cartaz e o público respondeu à altura com a plateia mais cheia da noite. Com estes condimentos a actuação foi animada fazendo o público dançar sem parar. Logo no início com o conhecido Cough Cough estabeleceu um padrão muito elevado para o que iria ser este concerto. A banda percorreu todos os seus maiores êxitos e o público sempre em grande colaboração. Boa interacção do front-man, Jonathan Higgs que nunca esteve parado no mesmo sítio mais que cinco segundos. Realçar também a atitude Higgs que depois do seu concerto foi ver a actuação da banda seguinte e demonstrou-se disponível para tirar fotografias ou dar autógrafos. Tudo boas indicações para o concerto da banda no Vodafone Paredes de Coura em agosto.

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Já dizem os ingleses “Last but not least” e isso aplica-se completamente ao Warm Up. O último concerto do primeiro dia do festival foi o dos No Age e lá por ser no final da noite, desengane-se quem pense que foi mais sensaborão. A azáfama, sobretudo juvenil, invadiu o recinto, todos queriam estar mais perto da banda. O punk invadiu sem sombra de dúvida a baixa do Porto. Não existem adjectivos para descrever a forma como a música afectou os presentes. Um abanar de cabeças sem fim, as pernas que teimavam em não ficar quietas, foi libertador e enérgico. Um grande concerto com expoentes máximos em músicas como Fever Dreaming ou Everybody’s Down. E punk que é punk tem que ter invasão de palco e membro da banda entre o público. Sim, no concerto dos No Age nada faltou, apenas tempo para a loucura ser ainda maior.

No final do dia há duas grandes bandas a dividirem o trono do primeiro dia/noite do Warm Up, Everything Everything e No Age foram enormes para uma tenda tão pequena.

Fotografias: Gonçalo Loureiro

Em Terra de Ronaldo, Ranaldo também brilha

Segundo dia de Warm Up, um dia camaleónico, onde a variedade reinou. Ainda com luz natural, os Sensible Soccers subiram ao palco para mostrarem o seu produto. Um concerto em volta de várias máquinas que juntas produzem melodias bem interessantes e que pedem às nossas pernas para dançarem. A confirmação para um futuro bastante promissor por parte dos portugueses.

De seguida o girl power invadiu a Praça D. João I. As estreantes Stealing Sheep trouxeram consigo Into The Diamond Sun o seu disco de estreia.  Com um arranque morno as britânicas foram, progressivamente, chamando a atenção dos presentes. Com uma fórmula muito fácil, voz, guitarra, bateria e teclas as raparigas conseguiram fazer valer o seu indie rock de forma exemplar. E pelo que foi visto depois do concerto elas fizeram de tudo para chamar a atenção ao mostrarem-se disponíveis para autógrafos e fotografias.

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Virando completamente o disco, viram os Linda Martini. A banda apresentou-se no Porto como uma verdadeira banda de culto, com vários fãs que se deslocaram até à Praça D. João I apenas para os ver. Tal como Hélio Morais, baterista e vocalista da banda, disse aquele iria ser o primeiro concerto do ano. E que forma de começar! Com o som dos amplificadores bem alto e ainda a bateria de Hélio a fazer das suas os festivaleiros foram à loucura. Uma reacção muito semelhante à que foi vista em No Age, cabeças a abanar sem parar a mostrarem que o rock está vivo. A juntar a isso, o brilhante coro que estava no público. É impressionante presenciar a forma como as músicas dos Linda Martini são sentidas pelo público. Dá-me a Tua Melhor Faca foi um dos principais momentos deste concerto e deixou boas indicações para a temporada de concertos que agora começa.

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Novamente a aplicar o estilo camaleão o palco sofre uma mudança total, chega a vez de Omar Souleyman. Vestido com um traje pouco usual, pelo menos para nós ocidentais, Omar trouxe a festa à Praça D. João I. Com sintetizadores a debitarem batidas intensas e dignas das melhores discotecas, o público começou logo a dançar. Depois chega o sírio e a festa fica então composta. Ele puxa pelo público, dança de um lado para o outro e o público acompanha-o, apesar de não perceber nada do que está a dizer. É a festa no seu puro sentido, a música que nos faz dançar. Um grande concerto, intenso. A lamentar a curta duração, eu não me importava mesmo nada de continuar a ouvir aquelas batidas alucinantes.

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Conhecido de outras bandas (Sonic Youth) chega-nos o veterano da noite. Lee Ranaldo Band tinha uma tarefa difícil, transformar a pista de dança que o Warm Up se tinha transformado e regressar ao palco rock que nos é habitual. Para este fim, Lee Ranaldo e companhia trouxeram na sua setlist uma mistura de músicas antigas com outras novas. Canções que falavam da vida, como a adolescência em Xtina as I Knew Her, ou a crise em que o mundo está mergulhado como é o caso de Shout inspirado no movimento Occupy Wall Street em Nova Iorque. As guitarras estiveram sempre presentes, com grandes solos a conseguirem grandes salvas de palmas do público.

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Por último e para desanuviar, chegou da América do Sul Matias Aguayo. Com uma mistura de DJ Set e Live Act o chileno tirou da cartola poderosas músicas dançantes que foram a banda sonora perfeita para os festivaleiros com pernas mais resistentes. E ainda eram bastantes os que se aguentaram para lás das 2h da manhã para finalizarem a 1ª edição do Warm Up a dançar.

A 1ª edição do Warm Up Vodafone Paredes de Coura trouxe até ao Porto o melhor espírito do festival minhoto. A fasquia fica assim elevada para o verão e o público está mais que pronto para entrar para a 2ª fase deste mítico festival, que se vai realizar pela 21ª vez na Praia Fluvial do Tabuão entre 13 e 17 de agosto.

Fotografias: Raquel Lemos

Destaques, Festivais de Verão, Música

Sobre o autor

Finalista de Jornalismo no curso de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. Joaquim é um apaixonado por Música, Fesitivais de Verão e de vez em quando arranja algum tempo para ver Televisão. Colabora com o Espalha Factos de Fevereiro de 2012. Editor de Música desde Maio de 2014.
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