Opposites

Abr 17, 2013 Sem Comentários by

Oriundos de Kilmarnock, no sul da Escócia, e formados em 1995, os Biffy Clyro são um grupo britânico de Indie Rock composto por Simon Neil (voz/guitarra) e pelos irmãos James (baixo) e Ben Johnston (bateria) que conseguiu, em 2009, atingir um nível bastante generoso de popularidade internacional, muito graças a Only Revolutions, quinto álbum da banda, e do seu single de avanço, Mountains. Agora, passados quatro anos, o trio está de regresso com um novo LP; intitulado de Opposites, o registo foi editado pela 14th Floor Records a 28 de Janeiro, sendo o alvo da crítica de hoje.

Autêntico êxito de vendas (em particular no Reino Unido, onde chegou ao segundo lugar da tabela) e porta de entrada de muitos (eu incluído) para o universo discográfico dos Biffy Clyro, por culpa dos mui orelhudos “cartões-de-visita” Mountains e That Golden Rule, Only Revolutions sempre me pareceu, no seu geral, um álbum bastante medíocre e sensaborão, ficando aquém de The Vertigo Bliss (2003), Infinity Land (2004) e Puzzle (2007), discos bens mais pungentes, ousados e experimentais.

Por isso mesmo, e apesar do audacioso anúncio de que Opposites seria um álbum duplo, não posso dizer que as minhas expectativas para o sexto disco de originais dos Biffy Clyro estivessem elevadas. Afinal de contas (e bem sei que isto pode parecer bastante pessimista), a partir do momento em que uma banda lança um registo tão mau quanto Only Revolutions a minha confiança nessa mesma banda fica para sempre abalada e dificilmente se restabelece.

Infelizmente, não posso dizer que o sexto álbum dos Biffy Clyro me tenha surpreendido pela positiva; pelo contrário, com uma quantidade gigantesca de fillers (vulgo “faixas de encher chouriços”) e de canções com um apelo terrivelmente próximo do zero, Opposites só veio confirmar as minhas previsões mais pessimistas, levando a “bitola” de qualidade do trio escocês para níveis ainda mais inferiores que os de Only Revolutions e acabando por ser, de forma ridícula, o exemplo perfeito de como não fazer álbuns duplos.

biffy-clyro-opposites

Ao nível da sonoridade, Opposites apresenta-se, em teoria, como mais um álbum típico dos Biffy Clyro, trazendo-nos mais uma dose de Indie Rock polvilhado com influências do Prog Rock dos anos 70 na amplitude e do Post-Hardcore nos emaranhados da guitarra. Contudo, tal como em Only Revolutions, neste novo registo os Biffy Clyro voltaram a “diluir” esta mistura num tom “épico” digno do Rock de estádio mais azeiteiro, tornando a música do grupo britânico inócua e desinteressante.

Na produção, a cargo de Garth Richardson, o sexto LP do trio escocês mantém a estética semi-polida e “inchada” do seu antecessor, mostrando-se ainda mais saturado com sintetizadores e arranjos orquestrais que Only Revolutions. No departamento lírico, apesar de se notar a intenção de criar um conceito dicotómico entre as duas metades do álbum, as canções acabam por ter todas temas bastante semelhantes, centrados em amores desencontrados e/ou impossíveis. Em relação à voz, Simon Neil volta a trazer-nos um registo neutro, que não estraga nem melhora as faixas.

Quanto às escolhas individuais, apesar de ser difícil escolher as piores canções deste Opposites, destacam-se pela negativa as terríveis Opposite, Biblical, The Fog, Spanish Radio, Pocket e Trumpet or Tap, peças que, a meu ver, exemplificam bem os defeitos e as falhas cometidas pelos Biffy Clyro neste seu registo. Contudo, apesar do “mar” de faixas menos conseguidas, existem alguns pontos altos que devem ser assinalados; é o caso de Different People, Black Chandelier, A Girl and His Cat e Victory Over the Sun, peças que conseguem escapar ao molde geral do disco e fazer de Opposites uma obra menos má.

Em suma, com o seu sexto álbum os Biffy Clyro trazem-nos a continuação clara da linha seguida em Only Revolutions, descurando por completo do experimentalismo e da inovação em proveito da moleza do apelo radiofónico e dos estádios cheios. Com um Indie Rock morno, impotente e desinteressante, Opposites acaba por ser uma pálida e infeliz sombra em dose dupla daquilo que os Biffy Clyro já souberam fazer tão bem. Só me resta esperar que depois deste flop tremendo o grupo regresse ao bom rumo porque, honestamente, esta sonoridade não serve nem para música de fundo.

Nota final: 3.0/10

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945

Crítica, Destaques, Música

Sobre o autor

Milita no EF desde Agosto de 2011, tem a mania que é crítico de música nas interwébes e aproveita todas as oportunidades que surgem para falar de si próprio na terceira pessoa. Frequenta a licenciatura de Ciência Política e Relações Internacionais na FCSH-UNL. É de Cascais, não gosta do novo acordo ortográfico e não sabe bem como terminar pequenas bios. Pois.
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