Os Amantes Passageiros: Às voltas, sem destino

Abr 18, 2013 Sem Comentários by

Tal como o avião onde decorre grande parte da ação de Os Amantes Passageiros, o novo filme de Pedro Almodóvar parece não ir a lado nenhum. A nova película que chega hoje às salas de cinema cumpre a sua função de entretenimento mas não acrescenta nada à obra do realizador espanhol.

Comecemos com os dois grandes nomes associados ao filme. Antonio Banderas e Penélope Cruz não têm mais do que uma pequena participação especial no início do filme enquanto trabalhadores de manutenção do aeroporto. E é de facto especial, não pela sua performance, mas pelo facto de ser uma distração das suas personagens que desencadeia a história desta película.

Um avião com destino ao México – até aqui tudo normal. Agora acrescentamos um corpo de assistentes de bordo gay (e com os seus traços evidentes de diva) e passageiros da primeira classe com personalidades muito diferentes e excêntricas: uma virgem com poderes premonitórios,  um assassino profissional, uma (influente) dona de um negócio de prostituição, um ator de novelas, um político corrupto e um casal em lua de mel.

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Acrescentemos ainda um aviso sobre a existência de um problema com o trem de aterragem. Primeiro o pânico espalha-se pela tripulação e são tomadas medidas: toda a classe económica é posta a dormir, as assistentes de bordo também. Restam os pilotos, a primeira classe e o trio gay de hospedeiros. Procura-se um aeroporto para aterrar, mas não há nenhum disponível. É necessário esperar, às voltas no céu. Está visto que a normalidade já explodiu nesta fase da história.

Mas não há muito para onde ir a partir daqui. Tal como o avião, o filme parece andar às voltas. Basicamente toda a restante ação assenta nas estratégias do peculiar trio de assistentes de bordo para evitar que a primeira classe se aperceba da situação. E é aqui que Almodóvar consegue tornar a história interessante a arruiná-la, simultaneamente .

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Sob o efeito de álcool e drogas, a desinibição toma o seu lugar na viagem. O segredo sobre a situação do avião cai por terra rapidamente. Um cocktail explosivo faz rebentar em cena todos os segredos das personagens, inclusive os mais sórdidos. Torna-se engraçado perceber toda a desconstrução de cada um dos elementos presentes naquele avião e a sua compreensão cada vez maior perante a possibilidade de um final trágico em comum.

Contudo, contrastando com esta dimensão, o realizador insiste em inserir uma espécie de caráter moral ao filme através do estabelecimento de ligações permanentes entre os passageiros e os problemas que deixaram por resolver em terra. Fica a ideia de que ninguém pode morrer sem ter deixado resolvidos os seus problemas passados.

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A diversão é garantida e não há motivo para não rir. Mas, para além de um certo caráter nonsense da situação em si, nada mais há para apreciar neste filme. As temáticas recorrentes de Almodóvar estão lá, mas sem um toque especial que nos faça refletir muito sobre elas. O amor, a homossexualidade e a sua descoberta, as opções de vida bem como o humor são ingredientes desta receita que sabe bem (mas a pouco).

No fundo, Os Amantes Passageiros é uma comédia light sem pretensões de ser mais do que isso.

6.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Los Amantes Pasajeros

Realizador: Pedro Almodóvar

Argumento:  Pedro Almodóvar

Elenco: Javier Cámara, Antonio de la Torre, Lola Dueñas, Penélope Cruz, Antonio Banderas, Hugo Silva, Cecilia Roth, Paz Vega

Género: Comédia

Duração: 90 minutos

Cinema, Crítica, Destaques

Sobre o autor

Este autor é tímido e ainda não atualizou a sua biografia. Se queres mesmo conhecê-lo deixa essa exigência nos comentários!
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